sábado, outubro 04, 2008

Um crepúsculo, dois amantes; os domínios de um duplo e seus elefantes

Lehgau-Z Qarvalho

Dois amantes encontram-se consigo mesmos ao crepúsculo, em cima de um prédio. O céu é vermelho. O silêncio: virtual. Reconhecem-se e temem-se de igual para igual. Na Índia o elefante é um animal sagrado, pensam. A deusa Maia daria à luz a um menino, que seria o imperador da Terra ou o redentor da espécie humana. Entreolham-se. O mundo é uma cabana. E entre o mundo da carne e o do espírito existe um orbe habitado por anjos e demônios; e pensamentos em palavras; mais alguns deleites. Na Índia os elefantes são animais domésticos; e os indianos os usam como enfeites. Buscam-se a si mesmos, um no outro, os amantes. Algo vibra em seus corações. Algo para além das superstições. Algo para além do depois e do antes.

Conforme o manual tibetano, o outro mundo é tão ilusório quanto este. Coabitam-se. E servem-se a si mesmos como manjares portentosos para espécies tonitruantes. Sim, os amantes. Gemem, berram, uivam; errantes.

Uma pena e um coração ocupam os pratos da balança, onde há um tribunal de divindades a espreitar toda e qualquer dança. Em pauta, das virtudes e das culpas, uma ponderação. Lá embaixo, uns vêem, outros vão.

Dois (di)amantes encontram-se consigo mesmos ao crepúsculo.

Na Índia a cor branca significa humildade e o número seis é sagrado. Nas grandes cidades, em cima dos prédios, ao crepúsculo, é possível encontrar aquele que complementa, aquele que não se é e nem se será. Aquele a quem se deve pequenas mortes; vôos macios; sussurros e assovios; pequenas sortes. Aquele a quem não se deve lamentar. Aquele com quem sequer existir é ficar.


Os diamantes já são o próprio crepúsculo; a se respirar.

3 comentários:

Valentina disse...

Se um diaaaaaaa eu chegaaaaar a escreveeeeer um milionéééééééésimo dissooooo, já possooooo morreeeer em paaaaaz!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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Valentina disse...

AAAAHH, sóóóóóó paraaaaa dizeeeeer o mínimoooooooo, nééééé!!!!!!!!!!!!!!!
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Ana Lúcia Pompermayer disse...

"Aquele a quem se deve pequenas mortes; vôos macios; sussurros e assovios; pequenas sortes. Aquele a quem não se deve lamentar. Aquele com quem sequer existir é ficar.


Os diamantes já são o próprio crepúsculo; a se respirar."

Se isso não é pedra preciosa, se não adornada em metal do mais nobre, o que será?