terça-feira, setembro 30, 2008

Esboço de uma geografia que se quer fantástica; e outros analectos

Lehgau-Z Qarvalho

Era uma vez um brasileiro que falava em português, pensava em inglês e sentia em francês. Mas era tido por si como um argentino que fazia graça em espanhol. Um dia, ao ler Gogol, pensou que poderia ser Truman, o Capote. Escreveu a história de um homem que vivia dentro de uma garrafa arremessada a partir de um bote. Era mais como um Duque em seu domínio que, a sangue frio, matava o tempo em sua travessia de verão, pensando que as musas são ouvidas; e ouvindo-as. As musas, as tinha; divididas.

Quando a árvore da noite chegava, pensava em outras histórias até adormecer e sonhar com o povo dos ratos; com Josefine, a cantora; e que escrevia cartas a Milena. Até aí, quase nenhum problema. Em processo de metamorfose, transmutou-se em um Kafka sem talento. Perdido, medroso, lento. Mesmo sem querer, transformou-se em um artista da fome. Alguém que escreve o que come. E como nada ingere, descreve o vácuo. E quem pelo nada se interessa?! Todos querem a intempérie. Nada que não tenha pressa.

Mas vítima do mundo não queria mais ser. Todos têm o direito de pensar o que bem entender. Inexistir é para quem bem puder e merecer. Sorte de quem se permite. E sorte há que se fazer.

No inexistente descobre um país, o das maravilhas. Lá conhece Carroll e se encanta como Alice. Entre gatos, ovos e coelhos, se perde por reflexos em espelhos; e através deles chega até Borges, que lhe propõe pensar um esboço de geografia fantástica em forma de atlas, e escrever o livro de areia de dentro dos jardins de veredas que se bifurcam. E assim, não mais como, de si, um conjurado, mas transtornado em um Aleph insuflado, resolve dedicar-se de uma vez por todas às ficções; e antevê, do que parecia triste e acabado, um sonho renascer em Homem Fênix montado em um cavalo branco e alado.


Reabrem-se as cortinas, uma chuva de pétalas. Todos aplaudem. Lá fora, já é tarde; e os ventos fortes anunciam uma nova tempestade.

3 comentários:

jorgeana braga disse...

ta lindo o novo visual!!!!


cão amar elo!

Ana Lucia disse...

Reabrem-se as cortinas, uma chuva de pétalas para o visual, para o texto, para a expressão do mais sensível que há em Lehgau. Bravo!

Valentina disse...

"Reabrem-se as cortinas, uma chuva de pétalas. Todos aplaudem. Lá fora, já é tarde; e os ventos fortes anunciam uma nova tempestade."
Huuuuuuummmmmm....................................................................... Adoreeeeiiii!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Forteeeeeee sem deixaaaar de seeeeer sensíveeeelllll, comoooo sempreeeeee!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
LindoooooLindooooooLindooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
(E o novo visuaaaaalll tam-bé-éééémm................................Adoroooo coreeeees forteeeeessss!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Hihihi..........................................)
Beibeeeeeiiiii.....................................................