sábado, setembro 20, 2008

Excertos das naturezas benditas; e outras desditas

Lehgau-Z Qarvalho

Caminha pela vida como se perder coisas seja o normal. Tem projetos; e seqüelas de invenções malfadadas (as ilusões tomam-lhe por inteiro desde o nascimento). Vive, agora, em tempos de balanço. Há restos que ainda precisa dizer. O mundo passou a um local estranho (ou sempre fora, e percebia-o como se pão com manteiga fosse); a ante-sala da espera para a cirurgia de remoção de idéias. Com revistas contendo felicidades perversas e possibilidades indistintas, irrecusáveis e impossíveis. Suspira breve. Passa a mão pela testa. Depois do passeio matinal, sem sair da cama, imagina-se como um cordeiro vegetal da Tartária invertido. As plantas a crescer e a crescer em seu entorno, e os lobos em franco desprezo. Cortado se mantém inteiro, mas o sumo, sim, a escorrer; em palavras. Assim como quando sonha que é uma árvore que devora os pássaros que fazem ninho em seus galhos; e, com a chegada da primavera, dá frutos em forma de infindáveis melodias. Coisas da natureza. Natureza vadia.

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