domingo, fevereiro 08, 2009

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Lehgau-Z Qarvalho

Hassan crê, ou se diverte com a idéia de crer. Turib lê, e se desentende a cada página consumida. Virágora ama, e se desintegra a cada beijo, roçar ou mordida. Um deles deveria estar certo; um errado; e outro conectado.

Mas, dando prosseguimento ao ano em que tudo aconteceu de fato, desde quando fatos passaram a existir ou fazer parte do imaginário coletivo, uma canção deveria ter sido criada. Uma canção parecida, mas não quase igual a nenhuma. Nem tão diferente; nem indiferente a um arguto inferente. Nem aderente às improváveis impossíveis múltiplas possibilidades do interferente. Uma que não pudesse ser ouvida; nem tocada; nem cantada. Mas sentida. Sem sentido; indo ou vindo. Uma que viesse em ondas. Que fosse do tipo alada. Canção para voar. Atravessar. Ir aonde jamais se pôde chegar; embora já estando lá no lugar. Uma canção para germinar. E, ao florescer, mandar podar; ou deixar crescer e morrer sem se apiedar. Porque de porquês já não se poderia mais sofrer. Nem tampouco se alegrar. O tempo da canção, sem letra nem poesia, seria o de se perguntar. Mas onde isso tudo vai dar?! Um tempo paralelo; perpendicular. Tempo templo; labiríntico. Templo lúdico. E, ao final, tudo explodiria em um não sei o que de não sei bem onde. E formaria em gelo no copo dos que o precisam; molho ao prato dos imprecisos; e olho aos que na boca possuem ouvidos. Uma língua só seria mal falada; e todos trariam nadas em pequenos retalhos para que outros tantos pudessem tecer suas notas em partituras de inteiro teor que, à medida que fossem sendo compostas, na mesma hora, tempo e momento, trariam cor e também a desbota. Isso para que, nunca, nunca, jamais, fosse possível parar de não fazê-la; nem descomeça-la.

Para tanto, seria preciso um tanto quanto impreciso ouvido. Desde que o tivessem, todos dos três se fariam todo e, dentro de uma semana, um mês, não mais se teria o tempo templo ritmo batida atrito convencional, mas só vento em movimento irrestrito e muito além do monumento erigido agudo semibreve antítese tese animoso animal. Algo bem para lá do perigoso irreal. Para além do etcetera e tal.

Um comentário:

Linda Simone disse...

Bendito seja, oh homem das palavras!! Mágicas palavras. Mestre da magia, da Magia das magias: a de encantar através das letras. Sublime ofício esse, o seu. O mais sublime de todos. Estou em transe, completo e profundo transe. É só o que posso dizer... E minhas reverências...