sábado, abril 05, 2008

Reentrada

Lehgau-Z Qarvalho

Ao final de cada frase ocultava seu nome para que ele não fosse submetido a operações mágicas. Possuía três medos guardados em um caixinha de fundo atemporal e tampa espelhada. Havia descoberto que Deus não sabe quem é nem o que é. E descobrira nos livros que eles se parecem com pinturas. E descobrira que não há classificação cabível para o universo. E que na Irlanda ou na Escócia (ou nas duas), habitam criaturas que gostam da cor verde, do canto e da música, e que vivem em residências subterrâneas onde aprisionam crianças, homens, cães, pedaços de memórias e rimas que costumam seqüestrar. E que os anjos são feitos com luz, os djins com fogo e os homens com pó. E que também era capaz de atravessar uma parede e se tornar invisível no momento em que quisesse. E que também podia surpreender certos seres em suas conversas sobre acontecimentos futuros e, assim, ajudar magos e adivinhos.

O tempo ao vento.


Ao presenciar as primeiras chuvas de maio, adquire forma humana. Diverte-se ao pisar nas poças; assombra-se com as infinitudes; prova das tâmaras e dos chocolates; toma para si manias alheias.

A lua desta quinta-feira parece outra. Ao entrar no oco do castelo seus anseios são amainados; pela simples razão de que não se sabe o que é o universo. As paredes sem expressão. As pinturas, sim, parecem vivas, mas não respondem palavra alguma às perguntas que vão sendo feitas. Desde o átrio central, a sensação da doce proeminência de uma figura amorfa e potente, feita de algo além da energia e da luz. Porque Deus não é um quê nem um quem. Abre a caixinha. Ser morto, enlouquecer ou deixar-se escravizar viram pequenas invisibilidades. Inspira, respira, transpira, excede. Uma fada aparece enquanto guia. Atenta para o burburinho. Escuta algo parecido com seu nome misturado com o que será. Respostas são hipogrifos que surgem na hora em que desejam se desocultar. Segue em frente sem reservas.

Em tempo, o vento.


Uma bruma densa vai se dissipando. O chão em umidade especular; se já não é mais visto, é porque diáfano está. Esquece o inesquecível; o que foi. Fecha os olhos para o sempre; sorri pela primeira vez.

3 comentários:

Linda Simone disse...

Sinto que não existem mais palavras para expressar o que sinto ao ler os seus escritos! Só mesmo pegando o que é seu.

Porque me divirto ao pisar nestas poças; assombro-me com as suas infinitudes; provo destas tâmaras e destes chocolates; tomo para mim manias alheias... as suas...

Fecho os olhos e sorrio, sempre, como se fosse pela primeira vez!

Beijo
Linda

Valentina disse...

Seeeee...............um diiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiaa................... Eu conseguiiiiiiir................................... escreveeeeer assiiiiiiiiiiiiimmmmmm.............................................Sereeeeeeeeei FelizFelizFeliiiiiiiiiizzzzz!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Baisers petiiiiiiiiiiiiiiiiiiits, MY preferreeeeeeed writeeeeeeeer!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
;)

Ana Lucia disse...

"Inspira, respira, transpira, excede."

Assim é tudo que escreves.
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